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Laura Widal

Anitta na Brazil Conference at Harvard & MIT – Lições de empreendedorismo, cultura organizacional e carreira

// 16/04/2018

O evento aconteceu em 06/04, com uma plateia composta, entre outros, por políticos e empresários, e foi uma das mais aplaudidas no tradicional evento, que já levou figuras como Jorge Paulo Lemann, Sérgio Moro, Dilma Rousseff, Gilmar Mendes, Warren Buffett, entre outros.

25 anos! Esta é a idade da gigante empresária, e artista que todos os brasileiros conhecem, mesmo os que não apreciam seu estilo musical.

Em 2017, Anitta superou Beyoncé e Lady Gaga no Billboard. O vídeo “Vai Malandra” tem mais de 240 milhões de visualizações no YouTube. Seu trabalho atualmente é desenvolvido em 3 idiomas: português, inglês e espanhol.

Objetivo de carreira (Sonho?) e Realidade

Anitta descreveu sua trajetória e infância pobre em Honório Gurgel – RJ até os dias de hoje. Declarou que sempre teve certeza que trabalharia como Artista, mas que tinha pés no chão e sabia que precisava de dinheiro para pagar suas contas. Então, enquanto começou a semear sua carreira como cantora nos bailes funk na favela, foi estudar curso técnico em administração e fazer estágio.

Lição nº 1: A estrada para alcançar o objetivo precisa ser pavimentada. Não há como viver apenas de planos e sonhos se você não encontrar meios de viabilizar o alcance do objetivo. Mesmo que a ação de hoje não seja totalmente ligada ao seu objetivo final, se ela é viabilizadora, então ela é parte do plano e deve ser feita com empenho e excelência.

O óbvio não pode ser deixado de lado

Ela conta da importância que a mãe teve ao obriga-la a fazer curso de inglês, mesmo ela detestando.

Lição nº 2: Aquilo que é importante para a sua carreira, como o domínio de idiomas, não tem que ser questionado, é preciso que você faça e pronto.

Adequação da Imagem

Ao ser aprovada em um programa de estágio na Vale, ela foi trabalhar como vendedora para ter dinheiro para comprar “roupas de escritório”.

Lição nº 3: Adequação de imagem a cada ambiente é fundamental. Não é porque Anitta foi aprovada no processo seletivo e tinha seu estilo próprio, que deixou de fazer a leitura do ambiente e também se adequasse àquele lugar. Isso não a fez deixar de ser quem ela é.

Marca Forte e com Posicionamento

O nome pessoal dela é Larissa, mas ao iniciar a carreira adotou uma “Marca” que foi o nome Anitta, inspirado na minissérie Presença de Anitta. Ela buscou diferencial em um nome pouco conhecido, que permitisse que ela fosse “top of mind” quando falassem sobre sua marca, e significado, ou seja, assim como na ficção, ela trouxe para sua Marca a Pluralidade daquele personagem, que fala diretamente com seu posicionamento no mercado.

Cultura Organizacional: suas origens na história de vida do fundador

Anitta conta que precisava pegar 5 conduções (ônibus e metrô) para chegar ao estágio na Vale. Mas seu irmão havia sido aprovado na UFRJ e não tinha dinheiro para pagar o ônibus para chegar até lá. Então, ela passou a fazer um dos 5 trechos a pé, com 40 minutos de caminhada, para fornecer um Vale Transporte para ele, viabilizando os estudos. Mais adiante, conta que quando desistiu da sua efetivação na Vale ligou para sua mãe para contar que se dedicaria exclusivamente em fazer a carreira artística dar certo. Sua mãe a apoiou e disse que faria faxina se fosse necessário para ajuda-la financeiramente. Houve também uma época em que a família inteira, pais e irmão, a ajudava nos bailes na favela, cada um com uma função, para que ela conseguisse entregar o show (resultado).

Depois, já famosa em sua empresa, contratou algumas pessoas referência em suas áreas de atuação. Mas disse que elas ficavam disputando entre si quem era melhor ou entregava mais resultado, querendo mostrar quem tinha feito mais e quem tinha feito menos. Ela reuniu todos e disse que não se importava com o resultado individual, que já havia muita gente no mercado lutando contra o sucesso deles, e que lá dentro eles eram o mesmo time e precisariam jogar juntos. Se perdessem estariam juntos, se ganhassem também seria juntos. Com uma história de vida e família em que a máxima era um por todos e todos por um, daria para ter percebido a filosofia dela, certo?

Lição nº 4: Há mais coisas entre o céu e a terra do que supõe nossa vã filosofia. Se você quer fazer uma boa leitura de cultura, expectativas do dono / fundador da empresa, entenda como os principais líderes pensam, o que valorizam, a que atribuem seu sucesso na vida. E se você não está satisfeito com o ritmo das coisas, reúna seu time e seja claro quanto às suas expectativas. Vai ser mais eficiente do que esperar “cair a ficha” para todos.

Para mudar o resultado das pessoas é preciso que você dê condições para elas fazerem diferente

Quando perguntada sobre a iniciativa que houve de tentar criminalizar o funk, e que ela se colocou contra no ano passado, ela diz que o problema não é o funk em si. O ritmo é bom, o que é ruim é a letra. Mas para mudar isso, é preciso mudar o contexto e entorno das pessoas que compõem as músicas. Se na realidade dela só existe drogas, tráfico, prostituição, então o compositor não tem outro repertório senão esse.

Lição nº 5: Nas empresas é comum encontrar gestão por decreto. “A partir de agora está proibido...”. Mas existe um passo anterior a este que é ensinar ou proporcionar uma nova realidade aos profissionais. Então se você quer mudar o estilo de liderança predominante na sua empresa, eu vejo pelo menos dois caminhos: treinamento para expandir o repertório dos líderes e gestão pelo exemplo, ou seja, a liderança mais sênior da empresa mudando o contexto, trazendo uma nova abordagem para inspirar os demais.

Gestão de equipe: formar pessoas dá trabalho mas faz uma grande diferença

Anitta buscou um posicionamento de mercado que não tinha referências anteriores. O público dela era mais diversificado, com crianças, adultos, homossexuais, classe A, classe D, etc. Assim, ela não encontrava profissionais completos para apoia-la. Também teve experiência com pessoas que não conduziam sua carreira de uma forma estratégica, então ela assumiu o comando de tudo, virou sua própria empresária e formou sua equipe. Em suas palavras, ela prefere ensinar as pessoas a pescar do que dar o peixe. Então formou seu irmão, e também outras pessoas da equipe, que hoje são seu “braço direito” e, recentemente, contratou um CEO para a empresa.

Lição nº 6: se você encontrou um oceano azul, ou seja, se seu posicionamento é novo no mercado, é bem possível que você não encontre pessoas prontas para desenvolver e executar seu plano. Então, esteja disposto a formar as pessoas, e ser claro com profissionais mais experientes que você espera um reposicionamento da atuação deles.

TBC (tira a bunda da cadeira): o mundo acontece do lado de fora da sua empresa

Anitta traçou uma estratégia para internacionalizar sua carreira. Mapeou que os 3 idiomas mais importantes para o ranking global da música eram inglês, espanhol e português. Então foi para a Europa e EUA e fez uma pesquisa em campo. Foi para a balada, entender quais eram os hits que as pessoas mais gostavam, conversar com os executivos da área, conhecer outros artistas e estabelecer parcerias. Com conhecimento do mercado, fez seu plano prezando por elementos que já eram pilares de seu sucesso, como por exemplo, abrir novos mercados sem deixar de lado o público já conquistado no Brasil.

Lição nº 7: Se você quer oferecer algo para o mercado, vá a campo conhecer seu cliente e entenda a demanda e desejo de quem vai consumir. Isso dá trabalho, mas aumenta consideravelmente sua chance de encontrar um mercado comprador.

Eu poderia tirar muitas outras lições da breve entrevista dela. Ela foi muito genuína e generosa ao contar os momentos-chave da sua carreira, a forma como define sua estratégia e faz gestão da equipe.

Para você, qual foi a mensagem mais importante da entrevista?