Sair

Laura Widal

O Desafio de ser Business Partner

// 01/03/2017

A função de Consultor Interno de RH ou HR Business Partner é chave na estrutura de algumas empresas e um pesadelo em outras.

Mas como pode haver tanta variação na percepção? A variação acontece proporcionalmente ao investimento feito na área. Para listar apenas alguns deles:

1. Diferença de senioridade: já vi estruturas em que o estagiário ou analista Júnior exerce a função e outras em que o profissional tem o nível de diretoria. O que isso muda? Tudo! A figura do BP reflete a competência, experiência e capacidade de aportar conteúdo e provocações de negócios de quem a desempenha.

2. Dimensionamento da área: algumas empresas colocam pouquíssimos profissionais para atender estruturas e uma quantidade de líderes enormes. Resultado? Ninguém é bem atendido, e, neste caso, nem a senioridade é capaz de suprir a escassez de dedicação de tempo suficiente para cada cliente.

3. A empresa não tem processos estruturados de gestão de pessoas, tais como cultura / valores para punição e reconhecimento, conversas estratégicas sobre pessoas, com identificação de potencial / competências para sucessão, atração de talentos com qualidade, entre outros. Neste caso, o desafio se dá por ter um BP que não tem ferramentas de gestão para embasar as reflexões e provocações, e, se a empresa tiver uma quantidade grande de colaboradores, o risco do BP nadar e morrer na praia é grande, pois a conversa pode ficar solta e se perder.

Eu particularmente gosto muito do escopo, desde que o BP tenha condições de trabalhar. Exerci a função por 7 anos, em diferentes empresas e contextos, e com a felicidade de me desenvolver nela.

Em minha última experiência dentro de empresas, atendi 8 diferentes Vice Presidentes e seus times de líderes em 4 anos. Ou seja, pude experimentar muitos estilos e demandas diversas. A empresa tinha bons processos e minha equipe era sênior, tinha autonomia para atuar e muita dedicação. Mas sabe qual a surpresa? Mesmo estando na mesma empresa, eu tive resultados diferentes. A equação humana também influencia. Alguns heads de negócio são mais abertos para a atuação em parceria com o RH, outros, mais céticos. E esta é a beleza do desafio de lidar com pessoas. Analisando minha experiência, elenco 3 atitudes que podem fazer diferença:

1. Tenha conversas difíceis e francas quando as coisas não vão bem. Se depois de um tempo trabalhando junto com a liderança da área cliente, em que você já entendeu o negócio e os desafios internos e sabe que pode contribuir de forma significativa, você ainda não tiver espaço para trabalhar, procure abertamente entender o que está "pegando". Vários líderes seniores tem dificuldade em dar feedback e se você provocar a conversa poderá entender o ponto de desencontro e também falar claramente do tipo de apoio e parceria que precisa para desempenhar seu trabalho.

2. Desafie, apesar da política. É muito gratificante quando passamos a nos sentir parte do time que atendemos. Isso traz uma sinergia e interação excelentes para o dia a dia. Qual o risco? Esquecer que seu papel de parceiro é desafiá-los para que a melhoria aconteça. Lembre-se que ao trazer a reflexão correta para a tomada de decisão você será cada vez mais relevante, e isso te gabarita muito mais do que tentar agradar o tempo todo.

3. Dê feedback "em tempo real" para seus clientes. O BP está nas áreas. Está presente nas reuniões de negócio. Seu papel é sim contribuir com as discussões estratégicas mas lembrar que sua função é ser um executivo de negócio especialista em pessoas. Então, ajude seus parceiros com feedbacks sobre o desempenho em reuniões importantes, o relacionamento com a equipe deles. Não deixe para trazer estes pontos nas discussões em painéis de avaliação / calibragem. Seu objetivo é ajudar as pessoas a se desenvolverem no dia a dia.

Poderia escrever muitas outras coisas sobre o papel de BP. Mas o principal é ter uma estrutura que dê condições de trabalho, e depois disso, conquistar seu espaço!

Este cargo quem faz é você!