+55 11 3624 8500 Sair

Laura Widal

O que Aprendi no Vale do Silício

// 06/03/2018

Eu estive no Vale do Silício em uma Imersão, então resolvi compartilhar alguns conceitos, sua cultura de inovação e a forma como as pessoas fazem negócio por lá.

O primeiro ponto que eu quero destacar é que as pessoas só aprendem fora da sua zona de conforto.

A história do Vale começa em meados de 1849 com a Gold Rush, que foi uma corrida pelo ouro. As pessoas foram para a região em busca de ouro e poucas tiveram sucesso, então o que aconteceu com os demais que já estavam lá e não conseguiram o que estavam buscando? Eles começaram a empreender, ou seja, saíram da sua zona de conforto.

O segundo ponto é em relação à diversidade. A região abriga alguns movimentos muito importantes como o Hippie e o Free Speech. Quando eu estive lá aconteceu a Pride Parade, que é equivalente a uma parada gay aqui no Brasil. A grande diferença é que a diversidade é algo tão importante para o Vale que eles celebram muito mais do que a orientação sexual, eles falam também das diferenças de nacionalidade, de ideias, enfim, todas as diferenças que o Vale proporciona. Só como curiosidade o Vale do Silício tem quase 50% da sua população formada por estrangeiros.

O terceiro ponto é a cultura de dono do negócio. Ela tem origem na história de um grupo que ficou conhecido como os oito traidores, que trabalhavam para William Shockley em 1957 e resolveram sair daquela empresa e abrir a sua própria empresa. A história teve vários desdobramentos, mas, ao final, os oito traidores formaram várias empresas, dando inicio às startups, sendo que uma delas foi a Intel.

O quarto ponto é sobre a definição do termo startup. Vou me apoiar em um dos conceitos que a gente conheci lá: “Startup é uma organização temporária desenhada para buscar um modelo de negócio repetível e escalável” ou seja isso nos mostra com clareza que startup não é uma versão pequena de uma grande empresa e uma grande empresa não é uma pequena versão de uma startup.

O outro ponto que quero trazer é que lá tudo é acessível e simples. No Vale todo mundo vai ter atenção da pessoa que quiser. Conseguir uma primeira reunião no Vale é muito fácil, mas você tem que ser extremamente relevante e interessante em no máximo cinco minutos de conversa, pois senão já não será tão fácil conseguir uma segunda reunião. As pessoas são muito objetivas e diretas e, se aquilo que você está falando não tem relevância, ou não está diretamente ligado ao que elas podem te oferecer e agregar, elas simplesmente encerram a conversa.

O último ponto é em relação ao Ecossistema Inovador, baseado em alguns "temperos" que a gente encontra por lá lá. O primeiro é a rebeldia. As pessoas têm uma rebeldia de pensamento, elas se permitem, querem e buscam pensar diferente. O segundo ponto é o conhecimento. A área tem um capital intelectual muito diferenciado, viabilizado também pelas universidades de ponta locais. Existe um estudo que diz que se pegássemos todas as empresas criadas por ex-alunos de Stanford essas empresas representariam a décima economia mundial, já imaginaram? O terceiro ponto que faz esse ecossistema muito favorável é o capital. 25% do capital de risco do mundo esta lá, ou seja, não falta dinheiro no Vale. E o último ponto, que talvez seja o maior ponto de distanciamento entre o Vale do Silício e a realidade do Brasil, é o poder público. extremamente aberto à inovação. Um exemplo disso é em relação ao AirBnB, que nasceu no Vale do Silício. A prefeitura de São Francisco deixou que o negócio operasse por seis anos antes de regulamentá-lo. Isso porque na cabeça dos governantes da região quem tem que aprovar ou não o serviço é o público, é o cidadão. Então, depois que o AirBnB tornou-se um serviço validado e que as pessoas de fato desejavam, eles foram entender como iriam proceder com a regulação.

O que aprendi no Vale do Silício foi: trata-se de um mindset.

Um modelo mental que possibilita a liberdade de repensar e criar coisas. De buscar alternativas para velhos problemas. Que sem risco e a possibilidade de errar não dá para avançar muito. Eu mudei muito de lá pra cá, passei a entender e praticar o MVP. A me fazer pensar as mesmas coisas de forma diferente, trabalhando sempre com o E SE.

E você? E se?

Gostou do nosso conteúdo? Confira os assuntos relacionados no nosso canal do Youtube: