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Laura Widal

Reflexões sobre os dilemas de carreira da mulher moderna

// 07/03/2017

Querida leitora

Nesta data tão especial, que é o dia internacional da mulher, reuni algumas dúvidas e / ou dilemas que nós enfrentamos em diferentes momentos da carreira.

Você tem alguma dica sobre os temas ou dúvidas adicionais? Compartilhe deixando um comentário abaixo.

1. Existe preconceito contra a mulher ou é coisa da minha cabeça?

As estatísticas mostram que mulheres em cargos de liderança e conselho de administração são minoria em nosso país. Também no quesito remuneração a mulher está em desvantagem. Considerando que somos mais de 50% das estudantes dos cursos de graduação, não dá para acreditar que o motivo seja baixa qualificação. Logo, se alguns entendem que a palavra preconceito é muito forte, também não há como negar que a evolução não é significativa com o passar dos anos.

O ser humano de forma geral tende a escolher pessoas parecidas consigo mesmo para seus grupos. Assim, se a maioria dos tomadores de decisão é masculina, as chances de repetir a fórmula ao promover e contratar homens é grande. O que podemos fazer? Lançar desafios durante o processo de tomada de decisão para garantir que as minorias não são discriminadas e que foram igualmente consideradas.

2. Tive filho e não sei se devo continuar a trabalhar. 

Para a maioria das mulheres que se tornam mães, este dilema aparece uma hora ou outra. Na minha experiência, voltei a trabalhar quando meu filho tinha 5 meses. Este não foi o período mais difícil, apesar de conciliar a amamentação por mais 3 meses. A vontade de ter mais tempo com meu filho ficou mais forte quando ele fez 1 ano de idade. O que fazer? Minha dica é focar cada vez mais na produtividade no trabalho, para manter a qualidade e reduzir a quantidade de horas dedicadas. Saber dizer “não” para alguns cafés mais longos ou mesmo happy hours corriqueiros não fará com que você seja discriminada. Claro que não é legal se isolar de tudo o que acontece, mas seja seletiva que sua balança tende a equilibrar um pouco mais.

Além do tempo, dependendo do nível profissional que a mulher se encontra quando tem filho, a situação questionada é que o salário da mãe supre apenas o pagamento de um profissional qualificado para cuidar do filho, e, que neste caso, não valeria a pena. Gosto sempre de provocar uma reflexão com horizonte mais amplo para este tema. Imagine que se você continuar trabalhando, com desenvolvimento profissional planejado, é provável que em 2 ou 3 anos seu salário esteja proporcionalmente bem acima dos custos com a funcionária ou escola que cuidará de seu filho. Assim, a saída do mercado de trabalho levando em conta apenas o fator financeiro momentâneo, pode ser precoce.

E se seu desejo for dar um tempo na carreira para curtir seu filho? Vá em frente! Faça o que te deixa feliz e alinhada a seus valores. Se pretende voltar ao mercado no futuro, minha dica é manter-se atualizada com cursos e, principalmente, não desaquecer seu networking para acessá-lo no momento que quiser voltar.

3. Devo me comportar como os homens para “pertencer” ao seleto grupo de líderes?

O mundo corporativo é um ambiente predominantemente masculino. Já vi e continuo encontrando mulheres que adotam uma postura mais masculina para “parecer um deles”. Respeito esta postura, pois muitas vezes ela é uma questão de sobrevivência.

O que eu faço? Mantenho minha feminilidade alinhada à forma como me sinto bem. Estamos conquistando cada vez mais espaço, e por onde passo tento deixar um caminho para a mulher poder assumir-se como tal, com suas particularidades, virtudes e defeitos. É claro que etiqueta corporativa, passando por dress code e posicionamento adequado a cada situação e ambiente, é fundamental para todo profissional!

4. O que eu posso fazer para ajudar o empoderamento feminino na liderança das empresas? Adote uma amiga ou colega de trabalho para contribuir com seu desenvolvimento. Todas nós temos experiência a ser transferida, não só em termos de conhecimento técnico, como também situações comportamentais. Se cada uma de nós ajudar uma outra mulher ao menos, seremos mais fortes. E, de quebra, quando atuamos como mentoras ou conselheiras, também desenvolvemos competências e habilidades que nos ajudarão na carreira.

E lembre-se:

“Não é a aparência, é a essência. Não é o dinheiro, é a educação. Não é a roupa, é a classe.” – Coco Chanel

Como a sua carreira te ajuda a realizar seus sonhos e construir um legado?

Aproveite o nosso dia!